sábado, 1 de setembro de 2007

Clara e Miguel, boa viagem!

É verdade, no momento em que escrevo este post faltarão poucos dias para o tiro de partida da volta ao mundo da Clara e do Miguel. Certamente será uma epopeia, onde as asas de uma borboleta provocarão efeitos desmedidos por essa Terra fora.
Em jeito de homenagem, deixo já a seguir um pequeno conto que fiz para a Clara, no passado mês de Abril (e já publicado no meu blog), quando ela deslocou uma vértebra (lembram-se?). Agora, totalmente recomposta, aí está ela pronta para ver e viver as sete partidas do mundo, numa cruzada onde apenas conta a sua sensibilidade e o seu espírito curioso. Ela, e o Miguel, terão o privilégio de mirar e sentir coisas que muitos de nós não suspeitamos. De certeza que irão partilhar connosco nem que seja uma ínfima parte das suas experiências e vivências.
E agora partimos para o pequeno conto:

A MAIS CLARA DAS DECISÕES

“Na noite em que, ainda sem saber como, desloquei uma vértebra a dormir, tomei uma decisão que me pareceu perfeitamente consciente e plausível: vou dar uma volta ao Mundo!
Contra a minha vontade, estou deitada na cama, mal me podendo mexer. Não tenho dores, apenas um ligeiro incómodo contínuo, como se a minha vértebra me estivesse permanentemente a recordar que existe. Eu sei que ela não é virtual mas escusava de se manifestar desta forma traiçoeira, ainda para mais sabendo que se deslocou durante o sono. Mas irei fazer com que pague caro este atrevimento. A minha vértebra, o resto do meu corpo e a minha alma, mesmo por mais infinita que ela seja, iremos viajar durante um ano por essa Terra fora.
Não, não tive nenhum sonho especial. Apenas uma clarividência tão ofuscante que me fez despertar. Aliás, não foi a dor que me acordou mas sim a ideia de que tenho de fazer a viagem da minha vida.
Despertei com esse desejo tão grande e talvez tenha sido ele que me fez estrebuchar por inteiro, fazendo com que a minha vértebra se deslocasse. Calculo até que o meu osso discal adivinhou esse pensamento e, querendo antecipar-se à partida, moveu-se inexplicavelmente com o meu desejo mas, talvez sem querer, amarrou-me à cama.
Terá sido uma conspiração para eu não bater as asas antes de tempo? Chamam-me de borboleta mas agora estou encerrada no meu casulo. Mas só o meu corpo. A minha mente já voa por montes e vales, mares e rios, cores e pessoas, cheiros e ventos. Assim que me puder erguer da cama a primeira coisa que farei será abrir a janela de par em par. Quero sentir o Mundo antes de me embrenhar nele. Agora só quero mesmo uma pequena colaboração... Sim, vértebra, estou a falar contigo! Despacha-te. Põe-te boa, depressa! Desamarra-me e solta-me na redonda bola azul. Também ela anseia por mim tal como eu anseio por ela.”


(imagem retirada de www.cienciaviva.pt)

4 comentários:

NinaSimone disse...

Tão bonito bruno...mereces um beijinho bem inteiro.
Partimos nós tambem nas asas da borboleta.
V.

alf disse...

Bruno, continuas completamente surpreendente! Parabéns!

Miguel e Clara disse...

Que surpresa! Muito obrigada!
Escrevam, escrevam, escrevam! Acho que a saudade se dilui nas letras...
Adoro-vos, meus queridos Leques.
Um beijo cheio de até já!
Clara

Évora à Sombra disse...

Tenho aqui outros orgãos com os quais gostava de ter uma conversa séria....
Por favor,Bruno, diz-me que droga é essa.